30 anos sem Vinicius Parte II







Bossa Nova e Afins

Bem vindos, ao melhor da MPB.
Textos e canções.

domingo, 15 de agosto de 2010

30 anos sem Vinícius- Parte 2

"Haja o que houver
 Há sempre um homem,
 para uma mulher
 Um falso amor e uma
 vontade de morrer
 Seja como for
 há de vencer um grande
 amor
 Que há de ser no coração
 Como um perdão
 Pra quem chorou."

O Grande Amor
Tom Jobim/Vinicius de Moraes(1960)




VINICIUS, A LIÇÃO DE VIVER EM HARMONIA

Vinicius de Moraes, o Poeta da Paixão dizia
" o sofrimento era apenas um intervalo entre duas felicidades"
Mesmo ao romper um relacionamento que sabia não ter mais jeito, sofria. Era um homem de viver em harmonia com todos, não gostava de ter inimigos. Sabia que o ódio e a mágoa não faziam bem a ninguém.
Por isso cantava o amor.
Para Vinicius o grande amor é eterno e sempre presente. Dizia:
"Para viver um grande amor é muito importante viver sempre junto e até ser se possível um só defunto- para não morrer de dor"( Cronica Para viver um grande amor-1960)
Esta cronica foi feita para Lucinha Proença, assim como a canção "O Grande Amor" .
Nos versos de "O Grande Amor" diz com todas as letras da importância deste amor, não quer aventuras e nem quer que ela as tenha, não se satisfaz com falsas promessas ou substituições, quer o principal.
Lucinha foi o grande amor de Vinicius e que ele nunca esqueceu. Ao lado de Lucinha, Vinicius se engrandece como poeta. Escreve vários poemas para sua musa:


É mais do que nunca a minha amada: a minha amada e minha amiga
A que me cobre de óleos santos e é portadora dos meus cantos
A minha amiga nunca superável(O Amor dos Homens- Paris 1957)


Em Montevideu escreve
Não te esqueças de mim que desvendaste
A calma do meu ermo de paz
Nem te ausente de mim quando se gaste"(Retrato de Montevideu 1959)


e outras mais como Retrato de Maria Lúcia(1959), A Outra Face de Lucinha(1959), Soneto do amor como um Rio(1959) que diz:
Este amor meu é como um rio: rio/ Noturno, interminável e tardio


Com  Lucinha Proença como musa, Vinicius não tem nenhuma vergonha em fazer de sua poesia um instrumento de conquista e sedução, a vida imita a arte dizia. A poesia e o estilo de vida de Vinicius se  confundem mesclam-se tornando-se uma coisa única. E assim ele cria com Tom Jobim as eternas canções da Bossa Nova. O Grande Amor, Insensatez(1959), Janelas Abertas(1958), O que tinha de ser(1959), Por toda a minha vida(1959), fizeram parte da fornada romântica em honra de Lucinha Proença.





VINICIUS O MELANCÓLICO OTIMISTA

Como dizia Manuel Bandeira:
"Vinicius tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos e
finalmente um homem bem ao seu tempo, tinha a liberdade, a licença, o esplêndido dos modernos."
Era um melancólico otimista e com sua melancolia fazia sua poesia e  letras, não tinha nada a ver com fossa, aquela tristeza dor de cotovelo. É tristeza-esperança.
Sua inspiração é o amor, a paixão. Apaixonado por Lucinha fica feliz por seu amor correspondido e escreve à um passarinho:
"Para que vieste na minha janela
 Meter o nariz?
 Se foi por um verso, não sou mais poeta
 Ando tão feliz"( !960)
Muitas vezes isto dura muito pouco, o combustível para a poesia, com ou sem música é o sofrimento.
A paixão por Lucinha, guarda não só o amor, mas também o medo de perdê-la e isto passa ser a matriz de seu sofrimento, que demonstra nos versos da canção que fez com Tom, "Eu não existo sem você"(1959)
" Assim como uma nuvem só acontece se chover
  Assim como o poeta só é grande se sofrer
  Assim como viver sem teu amor não é viver
  Não há você sem mim
  E eu não existo sem você"



O AMOR EXIGE CONCENTRAÇÃO E RECOLHIMENTO

Vinícius sabe que se quer fazer o relacionamento dar certo precisa de concentração e recolhimento. Como fazer isto se sua amada cansada de viver fora do Brasil volta para o Rio de Janeiro. O poeta quer voltar imediatamente para os braços da sua amada no exílio de Teresópolis. O Itamaraty não permite sua transferência e ele desesperado escreve uma carta ao Ministro das Relações Exteriores. Num ato de desespero diz que aceita até ir para um cargo inferior e ganhar menos. Com a carta inédita na história do Itamaraty faz seu argumento final. Vamos a um trecho da carta:


" Preciso de fato voltar ao Rio. Não é um problema material, de dinheiro, ou de status profissional. Tudo isto é recuperável. É um problema de amor, pois o tempo do amor é que é irrecuperável."
E assim consegue sua transferência. Não deixa por menos, sabia que na paixão a entrega tinha que ser total.
Vinicius poeta formado no romantismo sabe manipular a felicidade com seus versos, quando fala de experiências tristes, não cede ao ressentimento ou ao amargor. Consegue fazer letras românticas de bom gosto e sem sentimentalismo barato.
O Poeta ao emprestar seu coração à música faz um divisor de águas na música brasileira, o antes de Vinicius e o depois de Vinicius.. Usa seu conhecimento de música e faz também canções sozinho, letra e melodia.     "Serena do Adeus", "Valsa de Eurídice", "Medo de Amar", "Pela luz dos olhos teus", "Tomara" foram algumas delas, mudaram a cara da MPB. Mas, ele gostava mesmo é de parceiros, vivia rodeado deles e falava para quem quisesse escutar sobre amigos:


" ...E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.("Cronica "A gente não faz amigos, reconhece-os")
Este é Vinicius de Moraes, o Poeta da Paixão.



MOMENTO POESIA

Vinicius de Moraes faz este momento poesia com sua música "Pela Luz dos Olhos Teus"


Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isto é, meu Deus
Que frio que me dá ....
Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar


ATÉ A PRÓXIMA

JOÃO CLÁUDIO

 

terça-feira, 27 de julho de 2010

30 anos sem Vinícius, o Poeta da Paixão

" Se todos fossem iguais a você
  Que maravilha viver
  Uma canção pelo ar
  Uma mulher a cantar
  Uma cidade a cantar
  A sorrir, a cantar,a pedir
  A beleza de amar"

" Se todos fossem iguais a você "
(Vinícius de Moraes e Tom Jobim)


SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ (1956), foi a primeira canção feita pelos parceiros Tom e Vinícius. Seu lançamento deu-se neste disco  (capa acima) Orfeu da Conceição. E a primeira gravação é de Roberto Paiva. As músicas deste disco faziam parte da peça de Vinicius do mesmo nome e musicada por Tom Jobim.



O POETA DA PAIXÃO

Não vou escrever aqui a biografia de Vinícius. Vou, sim ficar com saudades do Poeta da Paixão, citar músicas, casos, cartas dele para Tom e de Tom para Vinicius, mostrar músicas com seus "parceirinhos", que foram tantos, mas quatro principais: Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powel e Toquinho.
Com Vinícius a poesia deixa de ser privilégios de poucos para atingir o grande público. Sua atividade como letrista da bossa nova, além de ter enriquecido a música popular com obras primas, fez com que seus livros de poesia fossem procurados pelos que se deliciavam com canções como " GAROTA DE IPANEMA", "CHEGA DE SAUDADE" , "EU SEI QUE VOU TE AMAR" e outras mais.
O público ficou conhecendo e se pôs a declamar "SONETO DA FIDELIDADE"(1939), "SONETO DO AMOR TOTAL"(1951), "HORA INTIMA"(1950), começou a falar pelas ruas, bares e lares;

" Quem pagará o enterro e as flores
   Se eu me morrer de amores"
   Quem, dentre amigos, tão amigo
   Para estar no caixão comigo"(Hora Íntima)
ou então

" Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
  E te amo além, presente na saudade.
  Amo-te, enfim, com grande liberdade
  Dentro da eternidade e a cada instante. "(Soneto do Amor Total)
e o mais declamado

"De tudo, a meu amor serei atento
 Antes, e com tal zelo,e sempre, e tanto
 Que mesmo em face do maior encanto
 Dele se encante mais meu pensamento"(Soneto da Fidelidade)

Com seu lirismo tenro, Vinícius tornou-se o mais popular dos poetas brasileiros.
Vinícius entregou-se com paixão à musica. Daí em diante, a crônica, a poesia, e a canção alternaram-se, ocupando todo o seu tempo e energia criadora. Como jornalista fez um pouco de tudo: crítica de cinema, coluna de discos, crônica diária e até um consultório sentimental com o pseudônimo " Helenice ".
Não é pouco e tudo com muita qualidade.






CARTA AO TOM

O grande parceiro de Vinícius e talvez o mais importante foi
Tom Jobim. Tinham uma sintonia perfeita, Tom Jobim as melodias,
algumas prontas há anos outras nasceram deste encontro.
Vinícius as poesias e quase não precisavam  de acertos.
Pode-se dizer sem medo de errar que a mudança radical
na música brasileira começou com Vinìcius. A mulher traidora
vulgar, vilã cedeu lugar à garota cheia de graça, a mulher amada
e linda. A mulher rejuveneceu deixou de ser vamp. Passou a ser
graciosa. Vinícius produziu com Tom Jobim 59 músicas.
As canções falando de amor, perdão, esperança são lições
de vida.
Não é a toa, que no show em homenagem ao Poeta, Tom mandou o seu recado sincero que vocês podem ler ao lado, singela trovinha para o "Poetinha", grandes amigos e parceiros..
Vinícius não perdia a oportunidade de falar do amigo, escrever para o amigo. Esta gravação abaixo é um exemplo disto, uma emocionante carta do Vinícius para Tom Jobim. Um documento histórico na voz do Poeta. Ouçam Carta ao Tom e comprovem, texto saboroso com música competente de Oscaar Castro Neves e Quarteto em Cy.







CARTA DE TOM JOBIM PARA VINÍCIUS, OU O MAESTRO ENTENDENDO O POETA

Trecho de uma carta de Tom Jobim para o Vinícius datada de 10 de janeiro de 1965. Os dois apesar de muito amigos já não compunham mais. A última foi "GAROTA DE IPANEMA", que fechou com chave de ouro a parceria. Tom Jobim cuidava de sua carreira internacional, fazendo muita música sózinho. Vinícius com novos parceiros descobria outras formas de fazer música.
Esta pequena introdução é para que fique claro que Tom Jobim depois de encerrada a plantação e colheita com seu parceiro, começou a entender melhor a alma do Poeta.
Vamos a carta:

Querido Vina
" Tenho trabalhado muito. Os nossos "AMOR EM PAZ" e "É PRECISO DIZER ADEUS" estão com as letras em inglês, profundamente baseadas nas suas letras originais. Aqui trabalhando nas tuas letras, descobri belezas que antes não tinha percebido, como estava mais preocupado com a melodia, mais com o som do que com o sentido, deixei de ver muita coisa.
É tudo muito bonito visto de todos os ângulos. Estou mais perto do que antes de tua poesia e creio ter aprendido umas tantas coisinhas indespensáveis."
Leiam o trecho abaixo e vejam se O Maestro não tem razão.

" É inútil fingir
  Não te quero enganar
  É preciso dizer adeus...
  É melhor esquecer
  Sei que devo partir
  É preciso dizer adeus...
  Ah eu te peço perdão
  Mas te quero lembrar
  Como foi lindo o que morreu"
Precisa comentar alguma coisa? Só ouvir então. Vamos ouvir abaixo " É PRECISO DIZER ADEUS" com Tom Jobim e Edu Lobo.




O PARCERINHO CARLINHOS LYRA

Um dia Vinícius atendeu a porta de seu apartamento e deu de cara com um quase menino, com um violão e uma tremenda "cara de pau". Será que dá para você colocar letra nestas melodias? disse o atrevido Carlinhos Lyra. Vinicius não o conhecia formalmente, se viam algumas vezes porque frequentavam lugares comuns, mas não eram próximos. Vinícius o recebeu bem e de pronto falou que faria. Carlinhos tinha outros planos, achava que ficaria por horas fazendo músicas com Vinícius, sonho de todo compositor. Mas, não era assim que o Poeta fazia letra e tratou de despachar  Carlos Lyra. "Eu te ligo quando tudo estiver pronto"
Passaram-se duas semanas e o ansioso Carlinhos recebeu o telefonema esperado. " Sabia que você deixou uma peça musical e eu coloquei letra, estas melodias tinham uma sequência e saiu uma peça" disse Vinícius. Carlinhos Lyra não havia pensado nisto e nem foi esta intenção, mas gostou da idéia e aí nasceu " Pobre Menina Rica". Foi mostrada pela primeira vez na Boite ZUM ZUM com Vinícius fazendo o mendigo, Carlinhos cantando e declamando e a menina rica era feita pela estreante Nara Leão. Isto tudo em 1963.
Ouçam abaixo "PRIMAVERA" uma das canções desta safra.





MOMENTO POESIA
De uma melodia guardada e quase esquecida de Edu Lobo, nasceu a linda poesia e a canção 
" CANTO TRISTE".  Poesia bonita de Vinícius de Moraes.
Canto Triste( Edu Lobo e Vinícius de Moraes)

Ah, luar sem compaixão
Sempre a vagar no céu
Onde se esconde a minha bem amada
Onde a minha namorada vai
Diz a ela minhas penas
E que eu te peço, peço apenas
Que ela lembre as nossas horas de poesia
As noites de paixão
E diz-lhe da saudade em que me viste
Que estou sozinho
Que só existe meu canto triste
 Na solidão

ATÉ A PRÓXIMA
JOÃO CLÁUDIO
                      

sexta-feira, 9 de julho de 2010

" Outra vez sem você
  Outra vez sem amor
  Outra vez vou sofrer
  Vou chorar
  Até você voltar
  Outra vez vou vagar
  Por aí pra esquecer....
  Até você voltar."

 "Outra vez" 
   Tom Jobim


BOSSA NOVA, SUA ORIGEM

A Bossa Nova foi criada com diferente harmonia, poesia mais simples, novo ritmo.
Ritmo é batida como do relógio, do coração. E Bossa Nova é batida diferente do violão, poesia diferente nas letras.
A Bossa Nova é mais intimista, mais refinada, mais alegre, otimista, não começou especificamente num lugar, num evento, numa rua.
Do Brasil foi para o mundo e virou eterna. Quer um exemplo, ouçam a canção "Outra Vez" de Tom Jobim, feita em 1954.
Gravada pela primeira vez por Dick Farney em 1954, no disco sicas Românticas com Dick Farney, pelo selo Continental.
Era a primeira vez que Dick Farney tinha contato com uma música que já era a fase pré- Bossa Nova, ele que foi um dos que pegou a onda começando.
"Outra Vez", continua atual recentemente fez parte da trilha musical da novela Páginas da Vida de Manoel Carlos, um bossanovista apaixonado.




QUANDO A CANÇÃO " BOLERO " VIROU " ANOS DOURADOS ".

Algumas vezes fazer música de encomenda pode não dar muito certo. Tom Jobim recebeu a proposta de fazer 2 músicas para um filme baseado no livro Trilogia do Assombro de Helena Jobim, sua irmã.
As músicas " Passarim " e " Bolero " estavam prontas quando Tom recebeu a noticia de que não haveria filme. Foi dado um novo encaminhamento as músicas, " Passarim " foi incluída na trilha sonora do seriado da TV Globo, O Tempo e o Vento. E " Bolero "  recebeu a letra de Chico Buarque e virou " Anos Dourados "  da mini série de mesmo nome da TV Globo.
O inusitado desta canção na mini série é que, Chico Buarque ficou de fazer a letra, mas não entregou em tempo hábil  antes da estreia da mini série. Como seria estranho colocar a canção com letra depois do programa ter estreado, a música foi ao ar por toda a duração da mini série, com o tema de abertura apresentado apenas em versão instrumental.
Dizem que Tom telefonava todos os dias para cobrar a letra, estes telefonemas persistiram durante todo o tempo que durou o programa. Chico com a perna quebrada e em repouso por conta de uma partida de futebol recebia com alegria a cobrança, era um mais uma oportunidade de conversar com seu grande amigo e ídolo, o "Maestro Soberano".




DICK FARNEY, O CANTOR DA PRÉ BOSSA NOVA.

No final da década de 50, o samba era aquele sambão ou samba batucada ou qualquer outro nome. A batida do violão começava a ser chamada de "quadrada" por vários músicos, mas era o que havia na época.
Por outro lado já havia alguns sopros de renovação, o cantor  DICK FARNEY tocava um piano com extremo bom gosto de grande influência das harmonias americanas. DICK FARNEY empolgava os garotos que já naquele momento enxergavam longe, como Luis Bonfá, Johnny Alf, Carlos Lyra e Roberto Menescal. Apesar de especializado em músicas românticas de autores americanos, como George Gershwin, Cole Porter e Irving Berlin o Cantor de Voz Aveludada também cantava sucessos brasileiros como"Copacabana" ( 1946) de Braguinha.
A admiração dos meninos da Bossa Nova por DICK, vinha do fato também que, ele estava gravando músicas de um compositor jovem que eles gostavam muito, Tom Jobim. DICK FARNEY já havia gravado do compositor,  "Outra Vez", "Tereza da Praia" e "Sinfonia do Rio de Janeiro". 
Em 1959, DICK FARNEY gravou outra música de Tom Jobim, que logo virou sucesso e é cantada até hoje. "Este seu olhar",  juntou a harmonia moderna e poesia intimista de Tom Jobim e se transformou em um grande sucesso de DICK FARNEY. Dando-se o crédito também a "voz de travesseiro" do cantor romãntico.

"Este seu olhar
 Quando encontra o meu
 Fala de uma coisas
 Que eu não posso acreditar
 Doce é sonhar,
 É pensar que você
 Gosta de mim
 Como eu gosto de você"
Tom Jobim sabia que os olhos são a janela da alma, que o olhar diz tudo.



MOMENTO POESIA

As poesias enriquecem as canções e popularizam as melodias. Vinicius de Moraes optou em colocar suas poesias em harmonias que se completavam. Tom jobim foi um grande letrista de suas próprias canções.
Chico Buarque seguiu os passos de seus Mestres e Gurus e fez das suas poesias lindas canções.
Momento poesia, tem sua estréia hoje com a música "Sempre".

SEMPRE (Chico Buarque)


   

 Sempre
Eu te completava sempre
namorei o teu semblante
Até o último momento
Para poder lembrar-te sempre.


Até a próxima
João Cláudio


sábado, 12 de junho de 2010

VIVO SONHANDO e MINHA NAMORADA

"Falar do bem que se tem
 Mas você não vem,
 Não vem
 Você não vindo a vida tem fim
 E eu a falar de estrelas, mar,
 amor e luar
 Pobre de mim que só sei te   amar"

 Vivo Sonhando (1963)
 Tom Jobim

Vivo Sonhando foi gravada pela primeira vez por Tom Jobim , em 10 de maio de 1963, Nova York. Em uma versão orquestrada com arranjos de Claus Orgeman, o Maestro preferido de Tom Jobim. O piano é executado por Tom Jobim .Esta canção faz parte do álbum " Antonio Carlos Jobim " gravado e produzido pela Elenco.

A HORA DA CRIAÇÃO

Tudo tem um começo, Tom Jobim nos fala do momento da criação de uma canção, sua melodia e letra.
" A criação resolve em parte a angústia. eu acho que quando você faz uma música você dissolve uma depressão. O piano funciona como espelho na correção de meus defeitos. Procuro sempre uma harmonia, uma coisa boa. Eu não ia fazer uma música para incentivar o ódio, nem para conduzir à droga. A música tem de levar ao reflorestamento, ao amor entre os homens e aos bichos. Aquele negócio que o Caetano Veloso falou sobre a Bossa Nova: O Brasil tem de merecer a Bossa Nova, ter uma mulher bonita, ir à praia, talvez um dia ter um barco, navegar num barquinho no mar azul.
O conselho da Bossa Nova é de levar a pessoa à vida".
Belas palavras.



VINICIUS, O POETA DA PAIXÃO.

Vinicius de Moraes, tem o seu mapa astral feito pelo astrólogo nas horas vagas, Carlos Lyra. O mapa interpretado por Carlinhos mostra duas tendências: Poesia e melancolia.
Explica, que Vinicius é na verdade um melancólico otimista. Para provar suas palavras Carlinhos recorre a um trecho de "Samba da benção" de Vinicius e Baden Powell que diz:
"E a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não"
A melancolia de Vinicius é a soma da tristeza com a esperança. Suas letras dizem isso. Toquinho diz que Vinicius morreu em busca da felicidade.
Eu diria que Vinicius morreu em busca da estrela derradeira como na canção " Minha namorada", dele e de Carlinhos Lyra.

"E os seus braços, o meu ninho
 No silêncio do depois
 E você tem de ser a minha estrela derradeira                                      
 Minha amiga e companheira                                                             
 No infinito de nós dois "

Quantos namoros não começaram com os versos de " Minha Namorada ".
Este era o jeito de Vinicius de Moraes de descrever seus amores, tinha sempre a esperança daquela amada ser " a estrela derradeira ".
Apesar de ter tido diversos parceiros e amores, tinha como parceiro definitivo e permanente o amor. Nele acreditava e sabia ser o amor, a única coisa que não tinha limites.
Seu grande amigo João Cabral de Melo descrevia em uma poesia o amor de Vinicius e dos enamorados:

" O amor comeu minha paz e minha guerra.
  Meu dia e minha noite.
  Meu inverno e meu verão.
  Comeu meu silêncio,
  minha dor de cabeça,
  meu medo da morte ". 

  Os três mal amados
  João Cabral Melo



AS CAPAS DOS DISCOS. A REVOLUÇÃO GRÁFICA.

Continuando a contar a história das capas que revolucionaram a indústria dos discos, aproveitamos a capa do disco CAYMMI E VINICIUS NA BOITE ZUM ZUM. Este disco foi uma gravação em estúdio do show (1963).
Histórico, este show e disco marcou um encontro único e também o lançamento das " baianinhas " , assim chamadas pelo Poeta, as integrantes do Quarteto em Cy.
Mas, vamos a capa.
Vocês podem ver que existem 4 pontinhos vermelhos. Isto era uma característica nas capas da gravadora Elenco e marca registrada de Cézar Villela o criador. Ele explica que quando desenhava as capas fazia recortes em vermelho por cima e que na época estava lendo a Cabala e viu que o número quatro era ligado à harmonia. E harmonia tinha tudo a ver com música, daí as quatro bolinhas. Simples e diferente.  

terça-feira, 25 de maio de 2010

Edu Lobo, Disco e Show

" Não sei se foi um mal
  Não sei se foi um bem
  Só sei que me fez bem ao coração
  Sofri, você também
  Chorei, mas não faz mal
  Melhor que ter ninguém no coração."

 Só me fez bem
 Edu Lobo e Vinícius de Moraes
( primeira composição de Edu Lobo)







TANTAS MARÉS- O SHOW

Apesar de já ter algum tempinho que assisti este show
não posso deixar de comentá-lo.Embora com atraso 
E tenho três boas razões para isto:
O show é muito bom,
O show ainda está em cartaz pelo Brasil
Para finalizar tem o CD que é ótimo e vocês podem comprá-lo.
Ver este show foi uma experiência única, Sesc lotado, meu amigo Zé Ernesto como acompanhante e a gentileza de Neto, gerente do Sesc que nos cedeu um belo lugar.

                                                                       
                                                                                                                                                                                                                                                                                   

COMENTÁRIOS DO SHOW, OS DETALHES PARA VOCÊS


A qualidade da musica de Edu Lobo vem de longe. Basta dizer que aos 19 anos, compunha sua primeira cancão em parceria com Vinícius de Moraes( Só me fez Bem ). Sua música mistura a Bossa Nova, os sons do frevo, do marácatu, do mar e de tudo que aprendeu entre Rio e Recife.
Vem de longe sua herança musical, de seu pai Fernando Lobo, passa pelo Maestro Heitor Villa lobos e Tom Jobim e tem suas raízes fincadas em solo brasileiro.
Neste show Tantas Marés, nome de seu último disco, desculpem o disco é hábito, conta sua história musical sem rodeios e nos conduz pelos caminhos por onde andou, as escolhas que fez, a obsessão com a qualidade e a paixão pela harmonia. está tudo lá, dito por ele e por seus parceiros e amigos que acompanharam sua trajetória.  Música da melhor qualidade, de um compositor de obras definitivas.
Sempre houve na música de Edu Lobo certa melancolia, atenuada por vezes pela vivacidade dos ritmos nordestinos, em especial o frevo aprendido nas férias passadas em Recife. Tantas Marés o disco, é impregnado desta melancolia. Talvez por isso mesmo, Edu, temperou em cena seu canto triste com comentários bem humorados. Descontraído, ele entreteu a plateia com observações e causos engraçados enquanto desfiou seu rosário de pérolas novas e antigas. Seu canto triste se engrandece em cena. a sencação era que a que todo o público que encheu o teatro saiu de lá maravilhado pela oportunidade de assistir a um  show de Edu Lobo, artista que tal qual seu parceiro e amigo, Chico Buarque, é habitualmente recluso e se apresenta pouco.





O REPERTÓRIO, BOM DE SE OUVIR

VENTO BRAVO abriu o show, o roteiro seguiu com o frevo NO CORDÂO DA SAIDEIRA. Edu Lobo revira memórias com certa nostalgia nas canções QUALQUER CAMINHO E CORAÇÃO CIGANO, destaques da safra nova.
O baião DANÇA DO CORRUPIÃO e o choro PERAMBULANDO ( uma homenagem a Tom Jobim ) já existentes no seu cancioneiro, recebem competentes letras de Paulo Cezar Pinheiro.
Porém, os grandes momentos do show, visto pelo entusiasmo da platéia, foram temas de tempos passados
CANTO TRISTE,  foi um instante sublime pelo sentimento posto pelo autor em doses exatas. PRÁ DIZER ADEUS, também se confirmou grandiosa, com direito a bis e coro entusiástico da platéia.
A total cumplicidade com a banda foi testada em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN, onde o sax de Carlos Malta dominou e mais tarde este mesmo músico se sobressaia novamente com flauta em PONTEIO.
O Circo Místico não podia ficar de fora com CIRANDA DA BAILARINA e BEATRIZ, as duas acompanhadas pelo coro da platéia, que a esta altura estava em êxtase.
BEATRIZ, num instante mais introspectivo, só piano e voz, mostrou o que sabemos há muito tempo, a grandeza melódica da obra de Edu Lobo.
Enfim um belo show de um compositor que precisa aparecer mais nos palcos, para que o público possa apreciar mais seu canto triste de constratante leveza. 
Um acidente que resultou em uma fratura de braço e ombro fez com que Edu Lobo abdicasse do violão que toca magistralmente. Teve que cantar mais e se mostrar no palco, revelou-se o que sabíamos um excelente interprete que teve que mudar a sua postura tradicionalmente aliada ao violão e um banquinho( resquícios da Bossa Nova). Lula Galvão soube preencher com capacidade esta lacuna do violão e nós ganhamos um interprete com mais domínio do palco.
Voltar aos palcos principalmente em Santos.
Meu amigo Zé Ernesto me garantiu que a última vez que Edu esteve em Santos foi em 1975, junto de Gianfrancesco Guarnieri. 35 anos, não dá para esperar tanto tempo.
E, pelo que vimos a maré de Edu Lobo continua cheia.

A BANDA DE MESTRES

Edu Lobo chamou sua banda de a BANDA DE MESTRES e com razão, sob a lideranca do pianista, maestro e diretor musical Cristovâo Bastos. A banda incluia feras como Jurim Moreira (bateria), Alberto Continentino ( contrabaixo), Lula Galvâo (violão), Carlos Malta brilhante nos sopros e Mingo Araújo na percussão. O sexteto abrilhantou com eficiência  a música de Edu Lobo, com espaço até para alguns improvisos, uma noite para ninguém esquecer.

CRISTOVÃO BASTOS, O MAESTRO E ARRANJADOR DOS MELHORES

No show e no álbum Tantas Marés, Cristovão Bastos coloca sua competência a serviço de Edu Lobo. Compositor, pianista e arranjador, Cristovão Bastos é desconhecido para o grande público, mas é respeitado e admirado pelos melhores intérpretes, músicos e compositores da MPB. Estudou teoria musical e acordeon desde cedo, formando-se com 13 anos, tornou-se pianista profissional aos 18 anos.
Parceiro de Chico Buarque, Paulo Cezar pinheiro, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, vem fazendo arranjos para show e discos de Nana Caymmi, Edu Lobo, Gal Costa entre outros. Fez os arranjos musicais do álbum Gal canta Tom Jobim, que resultou em belo show e dvd. Muita música que ouvimos nos dias de hoje tem o dedo de Cristovão Bastos.
A parceria de Cristovão e Chico nos deu uma única música, mas que música. Foi feita no intervalo da gravação do disco Francisco(1987) de Chico Buarque, onde o maestro era arranjador e diretor musical. Cristovão Bastos, mostrou uma melodia que havia composto e Chico gostou na hora, pediu para fazer a letra.
Pedido concedido, Chico veio com a linda de letra de Todo o sentimento.
A canção começa assim:
" Preciso não dormir
  Até se consumar
  O tempo da gente
  Preciso conduzir 
  Um tempo de te amar
  Te amando devagar                                                         
  E urgentemente"
E mais para frente termina assim.
" Depois te perder
  Te encontro, com certeza
  Talvez num tempo da delicadeza
  Onde não diremos nada
  Nada aconteceu
  Apenas seguirei, como encantado
  Ao lado teu"
Para terminar a história, uma semana depois de entregue a letra, Chico Buarque interpelou Cristovão e perguntou: " Você gostou da letra?Não sei o que o Maestro respondeu, mas não fique preocupado Chico. Nós gostamos muito...
" Todo sentimento" virou trilha sonora da novela Vale Tudo da TV Globo, em 1988.



A BAILARINA NA CIRANDA

Quem entrou na ciranda do show foi a bailarina do Circo Místico, todos estavam com saudade dela.
A ciranda da bailarina fez sucesso com o público que cantou com Edu Lobo em coro.
Esta música nasceu para o projeto Circo Místico de Naum Alves. Em uma época dificil da nossa nação, com ditadura e censura era complicado fazer música. Chico Buarque letrista desta canção era especialmente perseguido. Os censores cismavam com tudo e com pequenas coisas, no caso de A Ciranda da bailarina foi com um  "pentelho". Não permitiram que a canção saísse em disco com esta palavra.
" O padre também
  Pode ficar vermelho
  Se o vento levanta a batina                                                    
  Reparando bem, todo muito tem pentelho                             
  Só a bailarina que não tem"
No disco não podia, mas em show quando Chico ou Edu
não cantavam a palavra,
o público enchia  a boca: Todo mundo tem pentelho....
Ouvindo a música no show, lembrei que toda garotinha tem o sonho de ser bailarina, acho que por ela ser tão perfeita. Lembrei também de uma amiga que tinha este sonho e nunca teve oportunidade. Hoje nem que quisesse o joelho não deixa. Coisas da vida. Com esta canção espero compensar este sonho.




                                                                                                                

terça-feira, 20 de abril de 2010

Johnny Alf, o músico completo

" Ah! Se a juventude que esta brisa canta
  Ficasse aqui comigo mais um pouco
  Eu poderia esquecer a dor
  De ser tão só pra ser um sonho
  Dai então quem sabe alguém chegasse
  Buscando um sonho em forma de desejo
  Felicidade então pra nós seria
  E, depois que a tarde nos trouxesse a lua
  Se o amor chegasse eu não resistiria
  E a madrugada acalentaria a nossa paz."

                        Eu e a brisa( Johnny Alf)

JOHNNY ALF UM MÚSICO COMPLETO

Carioca de Vila Isabel , Johnny Alf teve formação de piano clássico, logo trocada pela influência jazzística. Foi um dos fundadores do lendário Sinatra/Farney Fan Club.
Um dos locais onde se estruturou a Bossa Nova . Já profissional da noite de Copacabana, atraiu a atenção de gente como Dolores Duran, João Gilberto e João Donato de quem se tornou grande amigo. Mais tarde suas famosas temporadas nas Boites no Beco das Garrafas, reuniram gente como Tom Jobim, Silvia Teles, Roberto menescal, Alaíde Costa, Carlos Lyra e outros.
Com apenas 11 discos lançados na sua carreira de mais de 50 anos, mantém até hoje um público fiel e continua com presíigio em alta com músicos e criticos.
Escute agora um dos clássicos da MPB, Eu a Brisa em uma gravação especial de Johnny Alf e Gilberto Gil.







JOHNNY ALF , DETALHES DA SUA VIDA

Foi por intermédio de Dick Farney e Nora Ney que Johnny Alf iniciou sua carreira profissional na Cantina do Cézar, casa noturna de propriedade do radialista Cézar de Alencar.
Sua primeira gravação foi em um 78rpm, em 1952 com a canção Falseta, de sua autoria. Esta música saiu no lado B do disco e o lado A ficou com Luis Bonfá (Manhã de Carnaval) com "De cigarro em cigarro".
Para esta gravação Johnny juntou mais dois músicos, além dele no piano, teve Garoto( Duas Contas, Gente Humilde entre outras) no violão e Vidal no contrabaixo. O grupo era arrojado para os padrões daquela época, tal qual a harmonia moderna para Rapaz de Bem ( já era Bossa Nova) composto no ano seguinte e seu primeiro sucesso.
Suas grandes inspirações eram as trilhas sonoras dos filmes musicais americanos assinadas por Gershwin e Cole Porter.
" Era o que me acendia, aquela vontade interior de criar alguma coisa. Então , quando voltava ia ao piano e fazia coisas com influência do que tinha ouvido" dizia.
Teve um conjunto com dois outros excepcionais músicos da Bossa Nova, Tião Neto, no contrabaixo( depois participou na Banda Nova de Tom Jobim) e Edison Machado eximio baterista que fez muito sucesso nos USA.
Foi com estes músicos que gravou e lançou outro grande sucesso, " O que é amar" ,com letra simples e otimista bem ao jeito da Bossa Nova. O que é amar ganhou inúmeras gravações de interprtes nacionais e internacionais como Sarah Vaughan.
Quem nunca passou por uma situação como a que conta a história da letra de " O que é amar"? E é muito bom, mesmo que algum tempo depois se torne uma Ilusão a Toa. Agora eu posso argumentar se perguntarem o que é amar..

" É só olhar, depois sorrir, depois gostar
  Você olhou, você sorriu, me fez gostar
  Quis controlar meu coração
  Mas foi tão grande a emoção
  De sua boca ouvi dizer quero você
  Quis responder, quis lhe abraçar,
  Tudo falhou,
  Porém você me segurou e me beijou
  Agora eu posso argumentar se me perguntarem
  O que é amar
  É só olhar, depois sorrir, depois gostar"

O CULT JOHNNY ALF

Johnny Alf já era cult em uma época em que não se usava esta palavra. CULT é uma admiração quase secreta, para poucos e felizes. Desde o começo dos anos 50 admirar Johnny Alf era um universo exclusivo. Das tardes do Sinatra/Farney Club para as madrugadas de Copacabana onde atraia os inovadores da música. Os criadores da Bossa Nova iam se inspirar no modo de tocar, compor e cantar moderno de Johnny.
Veio para São Paulo e para os discos, mesmo assim nada alterou a natureza exclusiva dos admiradores.
Ver e ouvir Johnny Alf é uma das grandes experiências que pode passar alguém que gosta de música.
Não é apenas um pianista, cantor ou compositor é um artista completo, que põe alma na sua interpretação.
Ilusão a toa foi o seu primeiro sucesso.

" Mas embora agora eu a tenha perto
  Eu acho graça do meu pensamento
  A conduzir o nosso amor discreto
  Sim, amor discreto para uma só pessoa
  Pois nem de leve sabes que que eu te quero
  E me apraz essa ilusão a toa."


AS CAPAS REVOLUCIONÁRIAS DA BOSSA NOVA
Cézar Villlela foi o idealizador das capas modernas da Bossa Nova. Ele criava e Chico Pereira fotografava.
Era difícil, não haviam as " ferramentas" da atual tecnologia. Era um tal de revelar, mudar, revelar sem fim...
No disco do Vinicius &Odete, os dois não puderam se encontrar para fazer a foto. As fotos foram feitas em separado. Vinicius sentado no banquinho e Odete Lara com o pé apoiado no banquinho.
Na montagem o banquinho da Odete desapareceu e deu lugar para o &.. Simples não? Talvez para hoje, mas naquele tempo era muito trabalho.
As modernas capas foram criadas por Cézar Villela e Chico Pereira e revolucionaram a arte gráfica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Se não, era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você"

Só tinha de ser com você
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira



A canção "Só tinha de ser com você" foi lançada neste disco, Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo. De quebra Dorival Caymmi lançou também a hoje famosa, ... Das Rosas.
O disco é de 1963 e a gravadora era Elenco.




Getz/Gilberto- Os 45 anos do vencedor do Grammy.
Álbum e Canção do ano de 1965


Hoje, quando muito se fala que este ou aquele brasileiro ganhou um Grammy é uma verdadeira festa, mesmo que seja um Grammy Latino ou World Music. Sem desmerecer nenhum destes Grammies, pelo contrário acho sempre muito bom ganharmos, porque são categorias importantes também, com muitos participantes.
Agora o gostinho bom mesmo é ganhar a categoria principal e foi isto que aconteceu com o disco Getz/Gilberto. Com canções da bossa nova de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e duas outras de Ary Barroso(Pra machucar meu coração) e Dorival Caymmi(Doralice) com arranjos de bossa nova o disco ficou espetacular
Com muitos brasileiros participando das gravações, começando por Tom Jobim arranjador e piano em todas as canções, além de compositor da maioria, João Gilberto vocal e violão, Milton Banana na bateria e Tião Neto no contrabaixo, não ficavam atrás dos bons músicos americanos.
Destaque especial para Astrud Gilberto que estreou neste disco como cantora e não parou mais, com sua voz perfeita para estes arranjos.
O álbum Getz/Gilberto, ressuscitou nos USA Stan Getz, saxofonista premiado, estava meio apagado em sua terra natal, depois de uma temporada na Suécia. Foi perfeito e valorizou com seu sax as canções brasileiras.
Com tantos músicos brasileiros, canções brasileiras, arranjos brasileiros do Maestro Soberano (como diz Chico Buarque) o disco é puro Brasil, apesar da gravadora americana e de ter sido gravado lá.

Ganhar o melhor álbum, competindo com o que havia de melhor naquela época não é para qualquer um e sim para os nossos gênios.







GAROTA DE IPANEMA

Fazer barba e cabelo é que é bom e em 1965, nós fizemos. Além do álbum, a canção Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ganhou a melhor canção trazendo para o Brasil o Grammy de melhor gravação. Uma gravação competente de Astrud e João Gilberto, com acompanhamento do sax de Stan Getz, piano de Tom Jobim , na bateria Milton Banana e Tião Neto no contrabaixo. Em um momento especial esta gravação está gravada e arquivada na Biblioteca do Parlamento americano, em Washington como uma das cinquenta melhores canções de toda a nossa história mundial da música, ao lado dos maiorais. Honraria para poucos.
Agora eu vou dar um presente para vocês, na janela abaixo, aperte o play e deliciem-se com dois momentos importantes deste disco e é claro um deles é esta gravação original de Garota de Ipanema. Com certeza você já ouviu centenas de vezes esta canção, mas nunca deste modo, gravada com tanta competência.



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A BOSSA NOVA NÃO EXISTIRIA SEM AS POESIAS DE VINICIUS DE MORAES

Poeta formado no ninho dos românticos e dos grandes sonetistas, Vinicius de Moraes destoa das canções dor de cotovelo da época.
Ele manipula a felicidade neste novo conceito de fazer música, não abre mão do lirismo.
Quando fala de experiências tristes, não cede ao ressentimento ou ao amargor. Consegue fazer letras românticas sem o mau gosto e o que é o mais importante sem sentimentalismo barato.
A novidade que " O Poeta" traz é muito simples a de que o amor não precisa se tornar sofrimento para ser levado a sério.
Tem certeza que um relacionamento pode ter seus dias sombrios, mas que é sempre melhor deixar o sol entrar.
A canção "Janelas abertas", de 1958 e lançada no disco "Canção do amor demais", fala sobre esta visão do Poeta da Paixão, Vinicius De Moraes:

"Sim Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa vazia
Uma casa sombria
Sem luz, sem calor
Mas, quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir
Iluminar nosso amor"




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A GRAVADORA ELENCO


Uma das maiores divulgadoras da Bossa Nova foi a gravadora ELENCO. Criada especialmente para lançar o novo genêro musical em 1963.
Aloysio de Oliveira, diretor artisico da Odeon, demitiu-se para criar a ELENCO. A maioria dos interpretes e compositores da Bossa Nova não tinha gravadora e a Odeon só queria João Gilberto.
A ELENCo lançou os discos de estreia de gente como Nara Leão, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Edu Lobo, Astrud Gilberto, Baden Powell, Menescal e Maysa.
O disco de estreia da gravadora foi " Vinicius & Odete Lara".
Vejam abaixo a capa diferente, mas isto é assunto para outro dia, quando vou abordar outra inovação da Bossa Nova, as capas. falarei sobre a criação destas capas com as devidas explicações.